20 Dezembro 2009

Tucanos em desespero - nova temporada - post 1

Assim como fiz na última eleição, inicio mais uma série de posts contendo tudo aquilo que signifique preocupação para a turma do PSDB.

O objetivo - além de me divertir - é levantar a bandeira: qualquer coisa, menos o Serra presidente.

Vamos lá:

Com 72%, aprovação do governo Lula é recorde, aponta Datafolha

da Folha Online

Lula entra no último ano de governo com 72% de aprovação, seu recorde de popularidade desde que tomou posse, em 2003, aponta pesquisa Datafolha realizada entre os dias 14 e 18 deste mês e publicada na Folha deste domingo (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL). O crescimento é de 5 pontos percentuais em relação a pesquisa realizada em agosto.

Como a Dilma acaba de diminuir sua diferença para o Serra de 21 para 14 pontos, imagina-se como será o Natal dos bicudos, lembrando que a candidata de Lula ainda nem se declarou como tal.

Imaginem quando o barbudo, do alto dessa popularidade toda e em clima de despedida, pedir pro povão: "peço o voto de todo o Brasil para a Dilma!".

Imaginem...

13 Dezembro 2009

Rapsódia joseense

Ontem fui tomar umas num boteco de MPB chamado Rapsódia. Fora do circuito baladeiro Vila Ema-São Dimas-Esplanada, fica num bairro chamado Santana, afastado do centro como seu homônimo paulistano.

Gostei. De esquina, pequeno, com mais gente fora do que dentro, lembrou um pouco os barzinhos com música ao vivo das décadas de 1970/1980, rústicos, descontraídos. Um público eclético, sem nariz empinado nem roupas da moda, tudo gente boa.

Preços, honestos. Músicos razoáveis, que não se incomodavam com o falatório e mandavam seus "covers" na boa.

Logo ao chegar, nem tinha sentado e ouço: "Zé Luiz!!!"

Veio um cara magrelo, na minha direção: "Você por aqui em São José? Pô, não acredito!!".

Demorei um pouco a lembrar. Tratava-se de um músico chamado Marco Aguiar, que, no meio do ano, se apresentou no Villaggio Café com seu trabalho próprio.

Simpático, derramou-se em elogios. Agradeceu a oportunidade, disse que foi superimportante tocar lá, que fez parte dessa história - e por aí seguiu. Falou muito da maneira respeitosa como foi recebido e tratado, lembrou do Barbosa, das minhas palavras de incentivo.

Meio sem graça, absorvi tudo aquilo e fiquei refletindo. Era apenas uma das centenas de lembranças de artistas iniciantes que tiveram a chance de pisar num palco reconhecido pelo meio musical, na maior metrópole da América Latina.

A grande maioria, claro, não conseguiu chegar lá; ser famoso, essas coisas. Mas muitos estão hoje brilhando por aí.

Eu, que de certo modo venho me desligando totalmente dessa fase da vida, acabei por rebobinar um pouco a fita - e não doeu nada. Sensação de dever cumprido, ao lado de uma certa preocupação por temer que essa "missão" não seja assumida por mais ninguém - pelo menos nos moldes nos quais nos propusemos.

Pra onde vai esse povo agora? Qual vai ser a casa que se prestará ao papel de ser "a primeira porta em SP" para novos músicos? Qual vai acolher o "Zezinho da Paraíba", o "Joãozinho do Rio Grande do Sul", agendando a todos - indistintamente, com shows de segunda a sábado, muitos com casa vazia ?

Não vejo nenhuma com esse perfil. Até existem alguns espaços para trabalhos alternativos, mas todos privilegiam gente já um pouco mais rodada, até mesmo nomes consagrados que - sem opção - os procuram para tentar voltar à cena. Coisa que a gente também fazia, mas abraçando sempre os novatos.

Enfim, resta esperar pra ver. De longe.

24 Novembro 2009

Ainda os blogs

Como disse no post anterior, além de estar num novo trabalho o dia inteiro, tenho viajado todos os finais de semana (os quatro últimos sem exceção). E vou, novamente, no próximo.

Consigo escrever aqui nos momentos de lazer, quando tenho pelo menos duas horas seguidas livres - o que não tem ocorrido ultimamente.

Mas uma bronca que levei de um de meus "milhares" de fiéis leitores no último domingo (fala, Claudinho!), reclamando da falta de novos textos, me obriga a - pelo menos - digitar algo rapidamente, logo às oito da matina - quem diria...

Escrevendo, aproveito para emendar o que falei antes deste, sobre um provável fim dos blogs -motivo de outra bronca, como poderão ver no comentário de mais um amigo, o grande jornalista Dafne Sampaio (também abaixo).

Esclarecendo, o que eu quis dizer é que há uma tendência na grande rede em se substituir textos longos por curtos; blog por Twitter e Facebook, por exemplo. Assim como ler notícias pela internet vem sendo um hábito que diminui, paulatinamente, a tiragem dos jornais impressos - isso já há alguns anos.

O que arrefece, sem dúvida, o saudável hábito de ler e escrever - mormente junto às novas gerações.

Faltou dizer é que já li algumas matérias sobre o tema. Ou seja, não estou sozinho nessa análise.

Coincidentemente, na última semana, pude comprovar a tal tendência que, até então, vinha apenas percebendo e lendo por aí. Dois blogs que acompanhava diariamente, há anos - um de política litorânea (Blog do João Lúcio, de Caraguatatuba) e outro de futebol (Blog Parmerista, do Conrado Giulietti) -, avisaram que estão encerrando atividades e passarão a se comunicar com seus leitores (ou o que sobrou deles) exclusivamente via Twitter.

Outros deverão seguir o mesmo caminho - penso eu.

Claro que muitos diários eletrônicos permanecerão, assim como os principais jornais impressos. Nichos, tribos, fãs, seguidores; gente habituada a longas leituras e, via de regra, a escrever longamente.

Mas que a curva é descendente, pra mim está claro.

13 Novembro 2009

Blogs: em baixa?

Nesses tempos em que a comunicação rola cada vez mais através de redes sociais – Orkut, MySpace, Facebook – além de MSN e similares, fico me perguntando se alguém ainda se interessa por blogs.

E e-mails, então, que hoje parecem coisa da pré-história? Tem gente que nem abre mais.

Como se não bastasse, o Twitter - pelo andar da carruagem - veio pra colocar a última pá de cal em qualquer papo que ultrapasse mais de três linhas.

Pra variar estou exagerando um pouco, mas a coisa vai por aí. Acho que, cada vez menos, tem gente lendo. E também menos gente criando novos diários eletrônicos.

A coisa segue por um caminho em que vai chegar o dia quando, de tanto se buscar comunicação e leituras mais rápidas, ninguém vai querer ler ou escrever mais nada. Fim.

Penso nisso a cada vez que começo a tentar postar aqui.

Talvez por isso tenha diminuído a freqüência.

De qualquer maneira, sei que tenho alguns bravos leitores fiéis e uns tantos seguidores cadastrados. Além de vários que caem na Lente via Google ao pesquisarem palavras que coincidem com coisas que escrevi.

Por eles, e principalmente para não perder a prática de escrever, ainda continuarei por uns tempos. Até porque ainda tenho algumas memórias e causos interessantes que não postei, e quero deixar pra um dia meu filho ler.

Ando meio sem tempo ultimamente, aqui no Vale. Durante a semana fuçando a cidade e abrindo verdadeiras porteiras, que nunca imaginei encarar. E, nos fins de semana, revezando direto entre São Sebastião e São Paulo, como já era previsto.

Mas vou me organizar e retomar as histórias, prometo.

01 Novembro 2009

Torcida do Palmeiras declara guerra à imprensa

Escrevo antes do clássico contra o Corinthians, decisivo para a pretensão palmeirense de voltar a ser campeão brasileiro após 15 anos.

Não vou falar da campanha verde; da liderança por 18 rodadas; da queda de rendimento. Nem do jogo ressuscitador em que goleou - de forma espetacular, diga-se - o Goiás, quinta passada.

O que quero deixar registrado é que, nessa última partida, aconteceu um fato absolutamente inédito da história do futebol brasileiro: imediatamente após o apito final, 18.000 palmeirenses na arquibancada do estádio Palestra Itália, ao invés de começarem a retirada para suas casas, fincaram o pé - e entoaram, em uníssono, um estrondoso coro:



Planejada ou espontânea, o fato é que a coisa tomou dimensões gigantescas: é justo nesse momento que os repórteres adentram o campo para entrevistar os jogadores e os narradores estão ali, nas cabines, quietos. Microfones abertos, não há hora melhor para um grito ecoar, forte, direto nos ouvidos de milhões de espectadores.

Foi um constrangimento geral para todos os profissionais das emissoras de rádio, TV e rede de computadores. Eu ouvia pela internet e fiquei de queixo caído. O que era aquilo, gente?

Certamente um desabafo, um grito de revolta.

Mas, qual a razão dessa revolta?

Na verdade, foi a chamada "gota d´agua". Quem é palmeirense e acompanha há anos a imprensa esportiva tá calejado de saber que, assim como mais alguns times de colônia (o Vasco, no RJ, por exemplo), a imensa maioria da mídia, por motivos passionais ou financeiros mesmo, trata o clube de maneira inferior em relação aos demais grandes - em especial Flamengo, Corinthians e São Paulo, os primeiros pelo tamanho da torcida e o último pelas conquistas recentes -, além de vários outros tipos de manobras de bastidores.

Ao final deste post deixo um texto colhido no blog Cruz de Savóia (clique aqui), com os devidos créditos, que explica melhor essa atitude dos ditos "jornalistas".

Explicações à parte, o grito dos palestrinos nesta semana passou a ser um divisor de águas. Jamais o chamado "quarto poder" - pelo menos na área futebolística - foi desafiado assim. E o que é pior, sem ter como revidar, pois como responder a 18.000 pessoas, sem alvos específicos? E, mais: se eram milhares ali, certamente serão milhões em suas casas, que foram despertados para o tema e - alguém duvida? - irão assimilar o mesmo ponto de vista. Uma grande massa de consumidores alviverdes que ficará, a partir de agora, alerta ao que vê e ouve nos rádios, sites e TVs, fazendo valer seu direito de questionamento e reprovação.

Os caras que comandam a informação ficaram tão atônitos que o assunto foi prudentemente ignorado pelos veículos nos dias que se seguiram. Lógico: só um maluco iria se auto expor dessa maneira. Mas - não poderá ser diferente - com certeza sentiram o baque e devem estar revendo posturas, se não quiserem perder audiência.

Presumo que o que possa vir pela frente é a diminuição das matérias depreciativas ou tendenciosas; das fofocas que desestabilizam o time. E o aumento dos espaços dedicados ao Palmeiras e sua torcida.

Isso se prevalecer a lógica capitalista. Como no futebol a paixão por muitas vezes supera a razão, é possível que o ressentimento ainda prevaleça em algum jornal ou canal de TV e a discriminação continue, ainda que uma guerra dessas proporções não interesse a ninguém.

O que se tira de melhor disso é que, assim como vem ocorrendo nos ataques inúteis ao governo Lula desde a campanha eleitoral, a grande imprensa a cada dia perde mais força. O povo nunca foi bobo, agora menos ainda com o mouse à mão. A internet, paulatinamente, vem tirando da mídia clássica o poder de ditar suas idiossincrasias. Basta acessar a grande rede e participar de dezenas de blogs de torcedores para ver o tamanho da encrenca.

É bom ficarem espertos, pois o recado já foi dado: "Ei, imprensa, vai tomar no c...!!".

Segue o bom texto de que falei:

Gota d’água
30/10/2009 por
lulapalestra

“Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d’água…”

Insatisfações com a imprensa por parte das hostes palestrinas são históricas, como sabemos. Até tese de mestrado a coisa virou. Então contarei a história das minhas insatisfações com essa corja. A primeira vez em que ouvi uma queixa a respeito de algum jornal eu era muito criança ainda. Lembro-me de ouvir meu irmão, cinco anos mais velho, queixando-se duma charge de A Gazeta Esportiva, antes dum Choque-Rei, em que mostrava uma luta de sumô entre Cilinho e o finado Vicente Arenari, os treineiros das duas equipes. Ele não gostou de ver nosso treineiro – realmente mais magro que o do adversário – ser ilustrado como um fiapo de gente agarrado ao ventre imenso do tricolor. Coisa de criança. Anos depois o Anderson, amigo de infância e parceiro de vários jogos – in loco, na TV ou no radinho de pilha – veio até mim reclamar de outra charge do mesmo jornal: havia na época um boato de que contrataríamos Don Diego, que foi retratado vestido de noivo, ao lado duma noiva decrépita e com uma placa pendurada no pesçoco. Na placa estava escrito “PARMALAT”. Daí em diante eles foram ladeira abaixo, cada vez mais mostrando um apreço exagerado pelo Corinthians em detrimento dos outros. Acabaram falindo, com justiça, prova de que até a claque alvinegra, tida como mais numerosa que os chineses, também dera as costas ao péssimo jornalismo praticado pelo jornaleco.Mas o eixo SPFC-SCCP-CRF e seus torcedores não tardariam em criar um novo instrumento a fim de satisfazer seus caprichos mais doentios. Em meados dos anos noventa, surgia um novo diário na praça, com uma proposta inovadora: somente esportes por módicos R$ 0,75. Minha cachaça, não ficava um dia sem. Tão importante quanto o meu café da manhã, o Lance! matava minha sede de informação sobre esportes. Porém, meu caso de amor com o jornalzinho começou a ficar abalado quando as notas dos jogadores do Palmeiras começaram a ficar cada vez menores, apesar do ótimo momento do time, enquanto adversários mais fracos eram tratados com benevolência exagerada. Galeano jogou o fino improvisado na quarta-zaga e jamais levou nota acima de 6. Os jogadores do outro lado do muro, principalmente aqueles que serviam à Seleção, como Serginho – que fugiria do escrete canarinho depois – ganhavam carradas de dezes, noves e oitos. Atletas de qualidade questionável passaram a ser convocados e até disputaram Copas do Mundo, como o caso dos limitadíssimos Zé Carlos Galo – ele imitava o animal à perfeição, talvez tenha ido à França para acordar o grupo de manhã cedo – e Doriva, chamados pelo Velho Lobo. Só fui entender tudo isso anos mais tarde, ao ver Ilsinho ganhando Bola de Prata e ao ver o goleiro do Grêmio liderar a corrida pela Bola de Ouro à frente de Diego, o melhor jogador deste certame. O negócio é grana mesmo, é “Jabá”. Não era de se admirar que um time que contava com Marília Ruiz, Benjamin Back, Juca Kfouri, PVC e Marcelo Damato não passasse dum bando de gente que vai à lida sob ordens dos cáftens da tríade.Mas isso não era suficiente: os italianinhos daqui e os portugas do Rio precisavam ser tratados jocosamente, feitos de otários. Um dia, dei uma olhada na banca de jornal do outro lado da rua e o papel higiênico dizia: “PALMEIRAS CONTRATA RICARDINHO”. Apesar de já ser um ex-leitor, atravessei a rua a mil – sempre fui fã do futebol do traíra – para ver de perto. Em letras miúdas, abaixo da manchete: “Mas não é quem você está pensando.” – Agora temos de aguentar pegadinhas! – pensei alto. Até mesmo o escudo do Verdão foi reproduzido com uma tarja vermelha feito placa de sinalização numa capa daquela joça. Profanaram tudo e escancararam de vez: nosso negócio é com elas. Não temos interesse em vocês, que estão sumindo, são a nova Lusa…
Quando era muito, muito criança tomei um “rodo” dum moleque na rua sem mais nem porquê. Passei anos creditando o episódio à minha cara de bobo, mas, bem depois, ao ver o presidente de honra da maior uniformizada palestrina discorrer sobre as origens de sua torcida, descobri o motivo: eu vestia o manto sagrado naquele dia, como tantos pais de família que apanhavam e perdiam camisas nos estádios lá pelo início do anos 1980. Até mesmo cariocas vinham até aqui e aproveitavam-se de nossa apatia, acostumados que estávamos com o estigma de “trouxas”. Quando nós, os otários, começamos a nos defender dos bons e ilibados moços do Bom Retiro e do Jardim Leonor, a corja finalmente começou a se preocupar com a violência que ela própria cultivara por décadas. E não foi só o Lance!, não. Os programas televisivos são os que mais induzem o torcedor a fazer bobagem. Se você torce pelo clube “errado”, eles provocam, mentem, humilham. A noite de ontem foi histórica e eu participei, eu contribuí. Chegou o grande dia em que o palmeirense acordaria. EI, IMPRENSA, VAI TOMAR NO CU! Uma, dez, vinte, quarenta vezes, quatrocentas vozes, milhares de corações! Uma manifestação justa, oportuna e merecida. Paulo de Lilliput já minimizou, erroneamente, dizendo que foi só a Mancha. E o Juquinha, hein? Ele não gosta de democracia? Será que ele chamou o Doutor para ver? Nós estragamos o pós-jogo dos mensaleiros do rádio, sejam eles iniciantes ou velhos mineiros da cabeça grande criadores de gado despreocupados com a Mata Atlântica. Os palestrinos ouviram, riram e dormiram satisfeitos. Pais da bola, peitos de aço, carabinas, bacharéis e panteras sentenciaram do além: “Eles ainda são assim picaretas.” Mestre Filpo emenda: “Que la chupem. Pelas puntas!” A verdade é que a cuia finalmente transbordou após décadas e vocês chuparam. Chuparam e continuarão chupando, continuarão mamando. Engasguem e babem feito bois, como ordenou El Pibe, mano de D10s. Obedeçam, rameiras! Obedeçam já, da mesma forma que obedecem de joelhos aos Juvenais. Estamos no comando agora.Mais útil que um Molotov nos prelos; mais dolorosa que uma cabeçada de Serginho Chulapa ou um sopapo do Felipão ou do Picerni; tão inteligente quanto o feedback de Crespo nos cronistas rossoneri canalhas ou as peripécias de Eurico contra a Flapress. Vocês pediram nossa manifestação por anos e aí está ela. Queriam que abandonássemos o barco, que fôssemos embora olhando o chão, como criança após sonoro flato. Não foi assim, porque o jogo acabou e ninguém saiu, porque não queríamos apenas mais um show de futebol e um placar elástico. Não foi para isso que pagamos o ingresso mais caro do país. Queríamos também uma palavrinha a sós com vocês, bandidos. Seis palavrinhas, quero dizer. Afinal, nossos guerreiros já estavam no vestiário. Cada um dos dezoito mil palestrinos botou os pingos nos i’s, ligou as pontas soltas e descobriu, ao mesmo tempo, que eles sempre quiseram acabar conosco. Façam oba-oba! E agora? Quem é o líder? E vocês merecem porque são safados e safado tem mais é que ter na cavidade mesmo. E sem pomada.

15 Outubro 2009

Multas de trânsito: vale a pena brigar

Há alguns meses me vi diante de uma situação esdrúxula: recebi, num espaço de 20 dias, duas multas, uma do DSV (Prefeitura) e outra do Detran (Estado).

Datas diferentes, locais idem. Ao checar, a surpresa: não estive em nenhum dos pontos naqueles momentos, certeza absoluta.

Falando com quem entende, tudo indicava que meu veículo deveria ter sido "clonado". Ou seja, outro carro estaria rodando com os números da minha placa.

Uma grande dor de cabeça, segundo apurei pessoalmente e pela internet. A clonagem de automóveis está se tornando mais comum do que se pensa e, para solucionar isso, a via sacra pela burocracia prometia ser "daquelas". Fora custos, tempo perdido e encheções de saco em geral. O Detran abriria um processo de investigação e meu carro seria "bloqueado" por seis meses, não podendo ser vendido nesse período. Pior: se fosse roubado a seguradora não reembolsaria até que se encerrasse o bloqueio.

E mais: além dessas duas multas, teria que entrar com recursos a cada nova que surgisse, sem garantia de que conseguiria ganhá-los.

Bom, antes de entrar com o processo, tinha prazo para os recursos - naquela situação obrigatórios. Não tendo como provar que não estava nos locais das multas, minha esperança era que, pedindo cópias dos "autos de infração", ali houvesse alguma informação que indicasse um erro de preenchimento ou coisa parecida.

O medo era grande, pois, caso confirmado que era um veículo com as características e placa do meu, além de ter que pagar multas que não eram minhas, teria que aguardar o final das "investigações" e não poder fazer nada com o carro.

Como esperança é sempre a última que morre, enfrentei todos os tipos de fila e consegui as cópias da multas - ou melhor, dos autos.

Valeu a tentativa. Na do DSV o marronzinho tinha anotado o meu número de placa, mas a marca do veículo era outra. Na do Detran, além da marca ser igualmente diferente, o guarda tinha anotado um algarismo - um só - diferente em outro campo do talão.

Com isso - provas irrefutáveis - meus recursos ganhariam força. Juntei também um B.O., onde me defendia, e fotos do carro. Caprichei no texto, imprimi com letras grandes e mandei.

Não deu outra: os dois foram deferidos!!

E até agora não surgiram novas multas; ou seja, muito provavelmente terá sido uma grande coincidência (ou azar, se preferirem): duas multas em datas próximas terem sido aplicadas com erros de preenchimento.

Claro que posso ter dado sorte, ser um "meio clone" mesmo, alguém usando a placa falsa em mais de um veículo e ainda surgirem novas multas. Mas, pelo menos até aqui, a situação está resolvida. Por via das dúvidas, em todo estacionamento que pago peço o recibo com dados completos, pra provar onde estive - quando der.

A lição tirada foi que, mesmo descrente das Instituições em geral, sempre vale a pena brigar por aquilo que a gente entende como correto.

Por isso, fica o conselho: deixem a preguiça e o descrédito de lado - e recorram sempre.

07 Outubro 2009

Qualidade. Devida

Ontem, lendo sobre mais um dia de caos em São Paulo devido à chuva recorde - aliás, essas quebras de recorde vem se repetindo com muita frequencia, não? - fiquei com vontade escrever algo relacionado a estes primeiros dias por aqui e àquilo que se convencionou chamar de "qualidade de vida".

Ultimamente, qualidade de vida pra mim tem sido:

- receber docinhos da vizinha de apartamento como gentileza de "boas vindas";
- a mesma vizinha se preocupar em lhe arrumar uma faxineira, de sua total confiança;
- fazer caminhadas num belíssimo parque a uma quadra de casa;
- levar a mãe para fazer uma tomografia, sem agendar, e sair com o resultado em menos de uma hora;
- ir medir a pressão numa clínica particular, esquecer os documentos e ainda assim ser atendido na hora, somente na confiança;
- ir ao cardiologista e ganhar amostras grátis de remédio (caro) para os próximos três meses;
- comprar carne de primeira por quase metade do preço, num limpíssimo açougue de bairro;
- fazer lista de tarefas para quando for ao centrão e resolver tudo em duas ou três ruas, a pé;
- chegar a qualquer ponto da cidade, de carro, em menos de dez minutos;
- descer para São Sebastião num dia e voltar no outro, cansando muito menos do que ir de Pinheiros ao Tatuapé;
- ir ao cinema com o filho (no shopping), achar dezenas de vagas pra estacionar e não ter fila pra comprar ingresso faltando cinco minutos pra começar;
- ir a prefeitura local, ser atendido na hora - e muito bem - num espaço exclusivo chamado "Sala do Empreendedor" e saber que qualquer alvará pode ser emitido on-line em poucos dias. De quebra, ganhar um cartão pessoal do responsável - para tirar dúvidas quando quiser;
- procurar um ponto pra alugar, falar diretamente com proprietários e não ter burocracias desmotivantes para fechar negócio (ainda não fechei nada, calma...);
- ter aquela luminária de estimação, quebrada há anos, consertada em poucos dias - a domícilio - pelo eletricista do prédio e ainda pagar uma merreca;
- quebrar o controle remoto da garagem e o zelador, gentilmente, fazer o reparo;
- pedir para deixar o carro num estacionamento particular, só por alguns minutos sem pagar, e conseguir sem dificuldades;
- sair do centro e, 15 minutos depois, estar tranquilamente em estradinhas vicinais dentro do espetacular Circuito Mantiqueira, rumo à bucólica São Francisco Xavier;
- estando lá, 60 km distante, calcular os minutos e chegar a tempo de ver na TV meu Palmeiras derrotar o Santos.

Por fim, não ficar em pânico quando o céu de repente se enche de nuvens negras.

Posso dizer que a mudança está sendo pra lá de radical, se me entendem.

23 Setembro 2009

Primeiras impressões joseenses

Fase de adaptação. Dez dias de correria atrás de transformadores (aqui é tudo 220), estabilizadores, chuveiro, eletricista, persianas. Enfim, faz parte do processo.

A ficha ainda não caiu. Muita mudança ao mesmo tempo, por enquanto parece que estou numa viagem de férias.

Mas, de cara, tô gostando. As primeiras impressões confirmam o já esperado: tudo mais tranqüilo. Ar puro, pouca gente nas ruas. Muitas saídas a pé. Uma beleza.

Trânsito, um sonho; nada leva mais do que dez minutos para se chegar, os horários de “rush” são brincadeira de criança perto do caos paulistano. A estrutura viária aqui foi muito bem planejada: tem carro pra chuchu, são mais de 600 mil habitantes, mas a coisa flui muito bem. Lembrou um pouco Brasília e seus eixos monumentais.

A cidade, operária e industrial, dorme e acorda cedo – pelo menos no meio de semana. Vou ter de me acostumar.

Comércio e serviços, sem problemas; não falta nada. Todos os gigantes estão por aqui: Makro, Carrefour, Wal Mart, Extra, Pão de Açúcar, Sonda, C&C, Leroy Merlin, Telhanorte. E vários grandes shoppings, apesar destes não serem meu destino preferido.

Ainda estranho um pouco o fato de voltar a morar em apartamento, aquelas coisas de garagem coletiva, porteiro, síndico e zelador. Mas tá tudo certo, o povo é sossegado; um tanto arredio, mas acolhedor.

São José tem uma mistura muito interessante de aspirante a metrópole e cidade do interior. Sua maior qualidade, no entanto, é a localização. Saber que se está a uma hora de SP, um pouquinho mais do litoral e pertinho da região da Serra da Mantiqueira é muito estimulante e, ao mesmo tempo, tranqüilizador. Bateu tédio, é só pegar o carro e se mandar.

Curioso é notar que não se vêem pedintes nas ruas, crianças ou malabaristas nos faróis. Nem cocô de cachorro nas calçadas. Noticiários de violência também são esporádicos.

Em breve começarei a explorar as opções noturnas: boêmias, gastronômicas e culturais. Por ora, estou freqüentando um “delivery” da Brahma aqui ao lado, que, às terças, tem chope caldereta a R$ 1,90. De certa maneira, foi dada a largada...

Trabalho, só a partir da semana que vem, que ninguém é de ferro.

Deixo aqui duas imagens iniciais. A primeira, da janela da sala, mostra o Jardim Esplanada e montanhas ao fundo, resumindo um pouco a cara da cidade.A segunda, da janela do quarto, é de um parque municipal magnífico, o hoje tombado sanatório Vicentina Aranha, onde se pode fazer caminhadas revigorantes, esbarrando em galinhas d’angola, perus, sabiás e coelhos. Tudo monitorado por câmeras e seguranças, coisa fina.

06 Setembro 2009

Rumo ao Vale

Sempre gostei de mudanças. Desde que larguei a vida boa na praia em 1985 e vim sem um tostão pra SP me jogar de cabeça nas possibilidades paulistanas, nunca me acomodei.

Um pouco antes, com tenros 17 anos, já havia deixado o lar-doce-lar pra fazer cursinho e faculdade, inacabada. Voltei pra praia e fiquei mais uns anos no BB. Nesse período, trabalhei alguns meses emprestado numa agência no Mato Grosso do Sul e depois pedi transferência pra cá.

Na bagagem, praticamente só uma mala de roupas. Morei em quitinete no Centrão e ralei pra caramba. Tive sorte, fiz carreira, cheguei a ser executivo na Superintendência e, belo dia, senti que era hora de mudar as coisas. Um bar, depois outro - que acabou me empurrando pro meio musical - e pedi demissão do banco.

Muitos foram contra: não se joga uma carreira de 17 anos fora impunemente - diziam. Mas deu certo. Algumas traves, claro, como a empresa de sonorização de festas que durou apenas dois anos, ou mesmo a produtora Meca, que até fez coisas grandes, mas também não vingou por certa falta de talento pra engolir determinados sapos.

Já a temporada de sete anos na gravadora Lua deixou muitos frutos que serão eternos: discos antológicos e um nome no mercado que a fez uma das poucas a sobreviver até hoje, também como distribuidora de discos. A base foi boa, como se vê.

O Villaggio durou quase 18 anos, inscreveu seu nome na história e gerou um baú de memórias extraordinário, além de muitos novos talentos da MPB fazendo sucesso por aí.

Aqui na Capital penso que realizei meus sonhos cosmopolitas. Curti intensamente as ofertas de cultura e lazer; as muitas oportunidades de negócios; e, principalmente, o brilho das luzes noturnas que deixaram marcas profundas de incontáveis noites de boemia - regadas a álcool, tabaco, palcos e amores.

Um grande patrimônio: a oportunidade de conhecer, conviver e aprender com um universo de pessoas interessantes e originais. Nesse ponto, São Paulo é imbatível: vida inteligente, cabeças pensantes, fauna criativa. Esse povo fez a minha cabeça (para o bem e para o mal) e a ele serei eternamente grato.

No mais, tive a casa que sonhei; nela plantei minha árvore e escrevi meu livro - através deste blog e dos CDs, shows e matérias de imprensa. E ganhei um filho que é hoje a razão da minha existência. Não é pouco.

Exatos 24 anos anos de São Paulo. E, nos últimos, sinais de que chegava a hora de mudar novamente.

Nada muito claro, apenas a consciência de que a metrópole não seduzia como antes. Contribuindo para isso, a total incapacidade de conviver com uma coisa que, mais do que representar transtorno e estresse, pra mim é sinônimo de perda do que mais prezo: liberdade. Estou falando do absurdo trânsito paulistano, que piora a cada dia e transforma um simples deslocamento, por mais singelo que seja, numa missão que nunca dá pra saber se será cumprida. Não consigo conviver com isso, não tem jeito.

Por outro lado, a imensa vontade de ter mais qualidade de vida: mais verde, mais oxigênio e menos barulho. E a necessidade vital de estar perto dos familiares e viver aquelas pequenas coisas cotidianas que nos dão tanto conforto e paz de espírito. Coisas da idade, certamente.

A bola da vez é São José dos Campos, uma cidade bem interessante por sinal. A opção é pouco radical, até por ser muito perto daqui e de São Sebastião, mas vai exigir grande readaptação e uma mudança de valores maior ainda.

Aos poucos, darei notícias aqui. Antes, um breve intervalo na Lente do Zé pra encaixotar as coisas em Pinheiros e desembarcar em terras joseenses - daqui a exatos nove dias.

31 Agosto 2009

Villaggio Café, a saga. Último capítulo - O fim.

"O Villaggio é daqueles lugares que ficarão no imaginário do público, como um Zicartola da vida, um lugar quase mítico." (Zeca Baleiro)

E aqui vamos nós para o derradeiro capítulo. Em todos os sentidos.

Sim, pois - ainda que forçosamente - a saga se encerra em definitivo.

Dia 29 de agosto de 2009 foi o último dia de funcionamento do Villaggio Café, após exatos 17 anos, 2 meses e 12 dias de vida. Uma noite iluminada, com casa absolutamente lotada de amigos, repleta de energia positiva e calor humano. Inesquecível e emocionante.

Quando digo forçosamente, na verdade, não estou sendo totalmente verdadeiro. Houve, sim, uma razão prática, técnica por assim dizer: o imóvel onde estávamos instalados (e mais três vizinhos) foi comprado por uma dessas incorporadoras, que vai demolir tudo e construir ali um edifício.
Sabíamos disso desde o último janeiro e, de lá pra cá, foram grandes os esforços para ficar o máximo de tempo possível, envolvendo advogados de ambas as partes e negociações diversas. Conseguimos esticar ao máximo, mas, diante da possibilidade de uma disputa judicial desgastante e, mais do que isso, incerta, capitulamos.

O que poucos sabiam é que eu já vinha pensando em parar, mesmo. No final do ano passado, até colocamos o ponto à venda.

Pode parecer estranho, mas depois da mudança para Pinheiros muita coisa aconteceu pelo meu lado pessoal. Questões familiares, econômicas e profissionais resultaram num intenso desejo de mudar de rumos e de ares. Depois de 24 anos por aqui, eu estava muito cansado de várias coisas, mas que poderiam se resumir a duas: esgotamento com as mazelas de São Paulo (em especial, o trânsito) e com o trabalho noturno. Além de um certo desencanto com os caminhos que, há anos, vem tomando a música brasileira - da maneira que eu considerava interessante para dirigir minha vida.

Juntou-se a isso o saco cheio com as perseguições que os bares vêm sofrendo nos últimos anos: fim da consumação mínima, pressão do PSIU, Lei Seca e, recentemente, Lei Anti-Fumo. Dono de bar está virando bandido, o grande bode expiatório dos problemas nacionais. É muito difícil sobreviver trabalhando sob tanta pressão.

Bom, mas essas questões particulares ficam pruma outra hora. A verdade é que, se por um lado eu brigava para segurar o Villaggio por mais tempo, por outro não conseguia disfarçar um certo alívio ao ver que a história do bar estava para se encerrar - e eu não seria o grande vilão disso.

Fato consumado, havia - claro - a possibilidade de se tentar prosseguir em outro local. Descartei. Não senti a mínima motivação para encarar a parada, pouco mais de um ano depois da trabalheira que foi sair do Bixiga para Pinheiros. Procurar ponto, reformar, investir, divulgar esperar o espaço "pegar"... Tudo novamente? Ufa! Sem chance, parei.

Aliás, saber a hora de parar é fundamental na vida.

E a realidade foi que acabou o Villaggio Café.

Abro um parênteses pra falar um pouco sobre a experiência em Pinheiros.

Foram 16 meses de grande satisfação. A sociedade com o Vlado Lima foi tranquila, acabamos virando amigos pessoais e irmãos de fé. A agenda andou sem grandes problemas, os shows rolaram normalmente e o público - até onde sei - aprovou a mudança. Com mais espaço de salão e palco, além de uma cozinha melhor equipada, pudemos trabalhar com mais efetividade e o faturamento aumentou cerca de 50%. Ótimo.O restaurante não deu certo, um pouco por falta de experiência nossa, outro pela baixa capacidade de investimento.

Um capítulo importante aqui foi, claro, a parceria com o Clube Caiubi de Compositores, ocupando todas as segundas com grande sucesso e bons resultados em geral. Mais do que parceiros, desenvolvemos laços de amizade sincera e as duas partes acabaram ganhando com a visibilidade trocada. Do Caiubi veio também o evento mensal Sopa de Letrinhas, criado e dirigido pelo Vlado, que acabou virando hit da imprensa, pintando em diversas matérias em cadernos de cultura.Muito legal tudo o que veio dos caiubistas. Sorte e sucesso pra eles.

Enfim, o Villaggio em Pinheiros deu pé. A casa fechou com estilo: grade de shows completa e disputada como sempre, bom de público e de renda.Mas o mais interessante, acredito, foi ter conseguido manter a marca além do espaço físico. Depois de mais de 16 anos atrelado ao bairro do Bixiga, ao arriscar mudar de endereço o Villaggio Café provou ser uma grife, que extrapolava a situação física das suas dependências. Isso, a meu ver, foi uma grande conquista, prova de que o conceito é que se solidificou.

Tanto que, acredito, tenha capacidade de até retornar um dia. Quem sabe? O futuro a Deus pertence, é o que o povo diz.

Como tal hipótese não está sendo considerada no momento, o que fica aqui é um enorme agradecimento a todos que estiveram ao nosso lado nesses anos todos.

Estou de mudança para São José dos Campos, a uma hora de SP e um pouquinho mais da minha São Sebastião. De longe, ficarei torcendo para o sucesso de todo mundo e curtindo a memória de tantas noites inesquecíveis.

Encerro dizendo que a sensação é de realização total e de "missão cumprida".

Valeu gente; muito obrigado por tudo e um grande abraço!